Até logo!
Poxa, hoje mais cedo senti algo ruim. Lá no colégio. Alguns colegas despedindo-se de mim. Foi uma sensação que sei lá, não queria que acontecesse. É como se cada um seguisse sua vida. Uns prum lado, outros pra outro. (o que é, na verdade) Desejando sucessos, enfim. É um adeus forçado. Fazer o quê né?
Quero muito agradecer a:
Bárbara pelas músicas, livros, textos. Pelas massagens de graça, mesmo que sou eu quem dou. Pelas risadas que eu provoquei. (O seu rosto) Por ser algo lindo e puro que me faça ficar horas e horas olhando sem cansar de ver. Por me apresentar a Chico Buarque e Marisa Monte. Por me mostrar que Jô Soares escreve muito bem. Por despertar em mim o prazer de ler. Por me mostrar o lugar onde a felicidade transborda. Por me tornar essa pessoa que escreve, que lê, que canta, que ouve um bom som; que sabe escolher as boas coisas. Valeu moça dos brincos. "Deus lhe pague."
Anderson pela parceria em alguns poemas. Por ouvir. Por contar. Pelas conversas no ponto de ônibus. Por ter me apresentado a Arnaldo Antunes, graças a isso posso viajar sem passagens. Pela paciência. Pelo café no intervalo. Valeu véi. "Deus lhe pague."
Os outros não são restos. São partes. Tem um pouco de cada um aqui dentro.
Sinceramente, desejo a vocês (meus colegas) um futuro brilhante. Uma carreira supreendente e uma vida simples e prazerosa. Segurem as rédeas com força e galopem livremente.
Obrigado pelo ano e pelas lembranças que viajarão através de muitos.

Link da foto:http://www.people.vcu.edu/~gbearman/photos.htm
Mentes oculares - Anderson Sévlla e William Gomes

Vejo a cura de todo sofrimento,
A beleza do novo nascimento,
Vejo o que não se ver
Vejo por dentro dela o legítimo desejo
Do corpo proferir-se
E brotar a fumaça do cansaço
Do riso sardônico
Que provocara tantos outros
Nesse mundo maluco onde um fim e o começo
De alguma resposta
Encontrei-me quando tava perdido nesse jardim
Em meio à flores mortas
Por pegadas de gente apressada
Que não sabe o que é um contemplo
Pessoas vêm e vão, querendo alcançar o infinito
Numa viagem perspicaz
Através de horizontes que estão gravados em sua mente
Sem saber que ao longo pode se deparar a um abismo,
Onde sempre quis chegar.
Mesmo assim ainda creio
Que o arco-íris preto e branco irá brilhar.
, Inverno de 2007
Vácuo - William Gomes 28/10/2007
Só ouço gritos e gemidos
Em rumores longínquos
A luz enfraquece.
Adaptável respirar
Objetos furta-cor voando por fora do vácuo
Bicam a casa frágil
Modelando constelações.
De PAPO com o silêncio
(Fico devendo uma foto aqui do lugar que eu citarei abaixo. Aguardem!)
Enquanto eu estou aqui, penso nos que estão lá dentro vendo um filme ridículo, dormindo ou jogando papo fora. Não troco meu novo recinto. Quer saber como cheguei aqui?
Depois do almoço; do cochilo de olhos abertos numa gostosa e antiga cama, resolvi sair.
Se pra chegar à casa de minha avó eu corto uma estrada à esquerda, resolvi voltar ao local do corte e fui caminhando reto. Dei no fim da estrada. Subi à direita e acabei aqui, sentando num pedaço de madeira bem embaixo de uma árvore de galhos secos. Fui ler minha revista ali mesmo. Afinal, ela tem tudo haver com todo esse clima aqui. O sol batia sua quentura no tronco da árvore e ela projetava uma sombra fresca em mim. Ao olhar para cima, vi somente os galhos pretos rachando o inocente azul do céu. O silêncio daqui entra dentro de nós e nos embala; nos faz pensar em tanta coisa. Queria tirar uma foto disso e compartilhar essa visão com vocês. Volto lá quando tiver. Enquanto isso, fico devendo.
Ah, se todos eles tivessem ao menos uma gota de simplicidade para descobrir lugares como esses. Um grande refúgio pra alma. Na próxima vez, já sei onde terei um encontro. Fechei o mês satisfeito.
Duas reflexões num só dia

Vamos por parte e ordem.
Eu sou mais uma daquelas pessoas que têm preguiça de cortar o cabelo. Mas tive que cortar, porque hoje à noite apresentarei uma palestra com o tema: “Sexo na Terceira Idade”. Cortei o mínimo que podia. Mas ainda sim deu pra perceber que cortei. Acho que um dos fatores que me dão essa preguiça, ou pode até ser raiva, é que o cabelo fica muito “certinho”.
Pois é, quando cheguei no salão, o cabeleireiro ainda não estava. Não o que corta o meu cabelo, somente o outro (são dois). Já havia um homem na espera. Sentei e fui ler minha revista Vida Simples. Depois de alguns minutos o cabeleireiro chegou. O cara que estava na espera foi cortar o cabelo e eu fui ler minha Vida Simples. (Bocejo) (Não no salão, aqui em casa, agora mesmo.) Pulando os minutos de espera, chegou a minha vez. Coloquei a revista junto aos instrumentos de trabalho do cabeleireiro e o boné em cima da revista.
Zuuuuuuummmmmmmm. Zuuuuummmmmmmmm. A máquina começou a fazer barulho. Minha cabeça estava escorada em meu braço. Estava com um tédio tão grande. Virava a cabeça prum lado, depois pro outro... Pronto! Vamos à lavagem – a melhor parte. Acabou! Sentei novamente e o tédio continuava. Agora era o tlec, tlec, tlec da tesoura e o xisk, xisk, xisk, da lâmina. (Iria escrever Gillette, mas Gillette é marca, né?)
Enquanto o tédio me corroía eu estava pensando se ele não enjoava disso tudo. Todo dia sempre a mesma coisa. Ele disse que trabalhava numa padaria e ficou lá 5 anos; disse que lá ele entregava, comprava, etc. Tinha vários cargos diferentes. Depois eu perguntei se ele não tirava férias... (Porque desde que entendo por gente nunca vi esse salão fechado por algum motivo desse tipo.) ...ele disse que tem 13 anos (13 anos!!!) que não tira. Pasmei. Expliquei pra ele que se fosse eu, já teria enlouquecido. Ele explicou que tem vontade de ganhar na loteria; sair; conhecer várias praias, etc. E disse também:
- Pra quê tirar férias, pra ficar aqui mesmo (em Brumado)? Ligar a TV de manhã e ver Xuxa? Quando você tem internet em casa é bom.
Ainda estava encabulado com os “13 anos”.
- Agora vou pensar no futuro de meus filhos. – disse ele.
- Sim, mas quem vai pensar em seu futuro? – eu questionei ele.
- Ãh? – ele não compreendeu.
- Mas quem vai pensar em seu futuro? – repeti.
- Ah, isso é. – respondeu muito pouco conformado.
Ele pegou o espelho grande da parede e colocou contra o espelho em minha frente, para eu ver como está o cabelo. Confirmei um “sim” com a cabeça, como todas as vezes eu faço. Acho isso inútil. Quem sou eu pra saber se o corte está errado, ou algo assim.
- Tá bom. – confirmei. Peguei a revista, coloquei o boné e saí.
...
Cheguei em casa e depois de alguns minutos, fui estudar para a palestra (Sexo na Terceira Idade). Copiei tudo numa folha e fui lá pro quarto de minha mãe. Li. Reli. Gravei. (Ah, isso é uma espécie de avaliação da disciplina Educação Física. Fiquei com a apresentação da palestra; outros com dança, avaliação física, música e a confecção do folder. O projeto chama Viver mais - Viver melhor.) Cansei.
...
Marcamos para às 18:50, no Clube da Terceira Idade. Cheguei na hora. Estava lá com a folha na mão tentando decorar alguma coisa porque o que já havia decorado tinha esquecido, de puro nervosismo.

Acabou que chegou a hora. Fui no centro e falei no microfone! (Ahhhh, como odeio microfones.) Eles estavam atentos. Eu li quase tudo, quase tudo mesmo. Queta! Um nervoso do caralho. Logo, logo acabou. Sentei trêmulo junto a minha colega que apresentou antes de mim. Sabe aquela sensação que bate quando você acaba de fazer algo e acha que ainda vai fazer? Pois é, isso é fruto do fracasso. Nem parece que apresentei. Ficou ridículo.
O tempo passou e me descontraí com dois copos de água. Ah, depois disso foi uma maresia. Tudo calmo, normal.
Acabei medindo a pressão do pessoal. (Aquela dos batimentos cardíacos.) Eles, da terceira idade, são muito legais. Gente simples, humilde, alegre. Tomara que eu seja assim também. Parece difícil. Tirei foto com duas senhoras lá, que são a auto-estima em forma de gente. Podemos ver isso no rosto deles. Invejáveis. Fiquei feliz ao longe, observando-os. A simplicidade que eles têm, é coisa de outro mundo. De um antigo mundo cheio de respeito e graça, que não volta mais. Será que eles são os últimos habitantes desse antigo mundo? Tomara que eles possam nos contagiar com tudo isso.
Eu estava no antigo mundo quando estava com eles. Me sentia mais simples, sorridente e protegido. Era como se todos esses problemas mundanos não existissem ali, naquele momento. Queria escrever mais, mas não sei o que dizer. Ah! Quero chamar a atenção aqui para a atenção deles. Quando eu estava medindo a pressão deles, estava com todo o cuidado do mundo. Prendia a pulseira vagarosamente, com medo de apertar demais. E depois eles me questionavam perguntando se estava normal e tudo. Me senti muito bem em poder ajudá-los. Tudo o que eu mais desejo a eles é Saúde, Paciência e Felicidade. Com as outras coisas agente brinca.
(Bocejo) Vou indo porque estou com muito sono, amanhã tem aula e ainda tenho que arrumar meu quarto. (Bocejo)
Cuide-se.
Ceticismo Particular - William Gomes 22/09/2007

Pretérito Mais-que-perfeito - William Gomes 10/09/2007

Todos os textos foram entregues. Mas... cadê o meu, ora? E quando eu ia perguntá-lo...
- Eu queria pedir um momento de atenção a vocês para eu ler um texto. Chama Futuro do Pretérito. – disse ele à atenção dos alunos.
Eu olhei pro lado e falei baixinho com o meu colega.
- Renato, é o meu texto.
Depois desse momento eu fiquei simplesmente imóvel, paralisado. Só ouvindo e olhando pro povo. Todos estavam quietos, todos mesmo.
“Meu Deus! Não acredito.” – pensava comigo mesmo. Hoje é meu dia. Vai pro blog. Após as últimas palavras do Futuro do Pretérito, ele disse:
- Essa foi a melhor coisa que eu já li nesse ano feito por um aluno...
Pausa. Só quero que vocês me imaginam imóvel nesse momento. Totalmente pasmo. Continua.
- Esse foi o texto de William.
Levantei com a maior cara de bobo. Olhando e rindo pro pessoal, pra demonstrar a humildade, fui buscar meu texto. Voltei e sentei lendo a observação que ele escreveu em minha folha:
“Muito bom. A melhor coisa que eu li, escrita por um aluno este ano.”
Logo a baixo de sua assinatura tinha um belo 10,0!
(Só quero lembrar aqui, que em momento algum estou me gabando, ouviu? Minha missão aqui é apenas compartilhar e fixar minha felicidade nesta página.)
E após esse ocorrido, a aula seguiu normalmente. A próxima eu matei.
Ah, vocês querem ler o texto? Tá aí em baixo.
Futuro do PRETÉRITO
Quem nessa vida nunca teve a sensação de que o mundo está correndo cada vez mais depressa? Os dias estão cada vez menores. E a culpa de toda essa velocidade é nossa. Devemos isso graças à tecnologia, à chegada da notícia mais rápido e de nossa própria maneira de pensar no futuro, deixando de lado tudo aquilo que está em nossa frente. Vale a pena fazer tudo hoje pensando no amanhã impreciso? Já parou pra pensar que pode ser o mundo quem está querendo nos acompanhar?
Todas essas tarefas feitas de uma só vez, que fazemos ao correr do dia, fazem parte, principalmente, da nossa (IN)eficiência. Inteligente/eficiente é realmente aquele quem faz mais coisas em pouco tempo? Pra uma cultura que associa viver mais depressa com inteligência e felicidade, pode ser. Se tantos credos afirmam que o nosso futuro está guardado, para que tamanha pré-ocupação com ele?
Esse tão sonhado futuro não passa de um presente atrasado.
WILLIAMGomes, 03/09/2007
A Visita - William Gomes 09/09/2007

- Está ocupado? – uma delas perguntou, escorada na parede da porta.
- Estava lendo. – disse.
- A Bíblia?
- Não. – respondi sem explicar o que estava lendo.
- Mas ler é bom também. – explicou a outra.
- É pra escola?
- Sim.
Logo em seguida ela explicou que seria rápido e que leria uma passagem pra refletir. Acompanhei a leitura com os olhos. Mateus 6, versículo 33-34:
“Pelo contrário, em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas. Portanto, não se preocupe com o dia de amanhã , pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade.”
Depois ela explicou que devemos primeiramente, buscar a Deus e que as outras coisas virão conseqüentemente. Falou também que nós preocupamos com coisas tão pequenas como comida, roupa, sendo que Deus dará tudo isso pra nós. Ela disse algo que me chamou muito a atenção: explicou que ninguém vê um pássaro guardar comida pra outro dia porque Deus sempre dará a ele o alimento. Automaticamente olhei pro céu, nem sei porquê. Fiquei muito pensativo. Logo eu que tanto reclamo disso e daquilo. É hora de mudar umas coisinhas.
- Bom estudo. – desejou a mim.
- Brigado pela leitura. Foi muito bom. – agradeci.
- Tchau.
- Tchau.
Fechei a porta e subi. Queria que elas demorassem mais, que lessem outra e outra. Voltei ao quarto. Peguei aquela bíbliazinha azul que é dada pelos Gideões, é resumida sim, mas é ótima para leituras rápidas, e marquei com o marca-texto esse trecho. Não sei se voltarei a lê-lo novamente, mas sempre que reclamar de coisas tão pequenas me lembrarei. Agora só resta esperar outras dessas visitas. Rápidas, porém proveitosas.
Dois trocos da mesma moeda - William Gomes 24/08/2007

- Não tenho! - sem nem ter o trabalho de olhar pra conferir.
- Tá certo. – respondi.
Dei meia volta e pensei: “Pensando bem...”. Acabei de dar mais meia volta e fui ver alguns doces. Hum... Peguei uma geléia, daquelas que tem a metade amarela e metade vermelha, custava uns dez ou quinze centavos. Aproximei do outro caixa que tinha uma mulher atendendo um vendedor e esperei. Coloquei a geléia ao lado da cédula de um real e esperei. Ela fingiu que não me viu. Continuei esperando. Saí e fui trocar a geléia por um chiclete que custava cinco centavos. Pronto, esperei. Chegou um cliente e esperou na fila atrás de mim - ainda bem que ele chegou, senão estaria lá até agora. Ela me viu novamente e percebeu o cliente atrás de MIM. Chamou a outra mulher que estava desocupada, aquela eu já havia conversado antes, e disse:
- Ô “Fulana”, atende ele lá no outro caixa que eu vou demorar um pouco aqui...
Imediatamente ela disse:
- Ah, eu não tenho dinheiro trocado ali não! – e foi em direção ao outro caixa para atender-nos.
Eu e o cliente fomos pro outro caixa e eu fui o primeiro a ser atendido. Lógico. Deixei o chiclete ao lado da cédula de um real na mesma posição e fiquei olhando. (Uma pausa – quero falar aqui sobre essa cena. Foi linda, o chiclete virado pra mim, ao lado do real. E o balcão completamente vazio.)
Ela pegou o dinheiro e falou diretamente com o CLIENTE, como se eu não estivesse lá:
- Deixa eu trocar o dinheiro ali!
Foi no escritório. E trocou!
Sem dizer absolutamente nada, me atendeu. Me deu de troco: uma moeda de vinte e cinco, duas de dez e uma de cinqüenta centavos. Conferi. Muito bem trocado. Saí satisfeito mascando o chiclete.
...
Há alguns tantos e tantos dias antes disso, naquele mesmo local aconteceu outro momento, digamos, diferente. Mas dessa vez foi com a mulher que estava no outro caixa.
Fui comprar algo que eu não me lembro. Custou R$1,98. Dei dois reais. E esperei, não o troco:
- Você vai querer uma bala ou os dois centavos de troco? – ela me perguntou ironicamente e ignorantemente.
- Não. Vou querer que você embale pra mim.
- Não custava nada você embalar! – respondeu ela brutalmente enquanto embalava.
- Mas quem é pago pra embalar aqui é você! – devolvi a brutalidade.
Saí felizmente e realizado.
Depois disso, nunca mais saí de lá sem nada desembalado.
...
Com tantos momentos marcantes assim, como mudo de supermercado?
(Não citarei o nome do supermercado devido a tamanha consideração minha com essas atendentes sorridentes e simpáticas, que a cada dia nos enche de Obrigados, Bom dias e tudo mais...)
Lúgubre - William Gomes 15/08/2007

Sente - William Gomes 26/07/2007
O menino de asas - William Gomes 24/07/2007

Desde o Primeiro Dia

Meu Amor Se Mudou Pra Lua
O dia não foi, a noite o que será
Meus cabelos pela grama e eu sem nem querer saber
por onde começo e onde vou parar
Na imensidão da manhã
meu amor se mudou pra Lua
Eu quis te ter como sou
mas nem por isso ser sua
Vou adiante como posso, liberdade é do que gosto
O dia nasceu, azul é sua forma
Já não quero mais ser posse, fosse simples como fosse
Um dia partir sem ganchos nem correntes
Façamos um brinde, façamos um brinde
à noite que já vai chegar
Façamos um brinde, façamos um brinde
ao vento que veio dançar.
Poderio inusitado - William Gomes 19/07/07

Ah, se meus desejos realizassem
Queria fazer de meus dedos
O mais perfeito manuseio
Envolvê-los em teus cabelos
Sentir cada fio faiscando as veias
Córregos de desejo
Bombeios de emoções
Até tudo isso chegar em meus olhos
E notar tua presença
Em coisas pequenas, simples e vãs.
O pouco tempo que passo contigo
É o suficiente pra te servir muito mais
Eu ficarei onde quiseres
Todos seus quereres farei
De seus orgasmos, o executor serei.
O pouco tempo que passo sem ti
É uma eternidade finda
Gasto essa tua ausência em lembranças
Lembro dos poucos movimentos horários
Que passeei em tua mansa voz
Defensivo e invadido diminutivo
Vontades querem perfurá-lo
E a cética distância domá-lo.
Estrela D'água - William Gomes 13/07/2007
Declaração implícita - William Gomes 12/07/2007

Repare em minhas intenções
Serei teu engodo
Três sextilhas – William Gomes 01/07/2007

Está a finda alegria que o consome
E diverge-se tudo aquilo que o corpo pressente
Remanescendo a gota do errado em suas lentes oculares
Que reconhece entre vultos
A verdade metafórica da tristeza.
Além das adormecidas vias vitais
Se acaba todo esforço demasiadamente úmido
Das águas do corpo entediado
Como plumas à ventania
Colidindo-se à rigidez dos troncos
Imóveis na mesma monotonia.
A face exibe a experiência vivida
Para o saber da mente e o conforto do corpo
Modificando o gesto do sentimento oculto
Revelando aos poucos suas deformidades
Até chegar a um conceito prolixo
Através das limitações das escolhas.
Feliz aniversário! - William Gomes 29/06/2007

Deus, o diabo e seus brinquedos - William Gomes 19/06/2007

Fatalidade - William Gomes 17/06/2007

Rolaria entre brasas incandescentes
Por que eu me chocaria entre as ondas?
Ao encontro de Deus - William Gomes 10/06/2007

Vadio em busca do balanço
Canso e páro o tempo
Vento o preto da noite
Foi-se mais um estrela
Vermelha da boca celeste
Esteve comigo na minha viagem
À margem do vago riacho
Cacho de fruta madura
Que dura até que despenca
E pensa que lá no alto era melhor
Corre que o sol não tem pena
Despena as horas num tempo só
Pode ser que ele cessa
Apressa, o curto é intervalo
Eu falo o que vem primeiro
Ligeiro eu penso num jeito
Sujeito quem te deu esse nome
De fome matou a própria sede
Na rede descansa
Na dança sem graça
Passa a mão no peito e dorme
Acorde pra vida
Que a fila do martírio cresce
E padece o pacóvio
De ódio erra o caminho
Sozinho vai ao encontro de Deus
Que lhe deu uma vida pacata
E ata as suas mãos
Que são de pura aflição
Em vão retoca tua alma
E acalma o fim do mundo
Vagabundo passa pelo paraíso
Arisco corre ruas e vielas
E ela o atiça em suas pernas
Magrelas as sombras somem no horizonte.
Candura - William Gomes 07/05/2007

O sol que traz o amanhã
Dá ao firmamento uma gota de audácia
A mesma gota desse sol
Me repercute numa imagem eficácia
A lua que fecha a tarde
Tem um mistério pálido
Que alumia um sorriso sereno
Deixando seu poder mais cálido

Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tantos sonhos perecer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal, uma janela
Para ver o sol nascer
Ás vezes saio a caminhar pela cidade
Á procura de amizade
Vou seguindo a multidão
Mas me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seus mistérios
Seu sofrer, sua ilusão
À violinista - William Gomes 24/05/2007

Minha vida sem mim - William Gomes 14/05/2007

Ela mesmo mata quem dela participa
Ela mesmo junta quem mais se antonima
E ela mesmo se auto-destrói
Construindo novas vidas
Que podem dar certo
Achar uma outra vida e dela
produzir uma só filosofia
De segurá-la mais tempo
Para poder descobrir o inexistente sentido
De ser uma máquina
Que produz sonhos e ilusões.
Afoito desvario - William Gomes 12/05/2007

Vertigem - William Gomes 29/04/2007
Trecho de livros
(José Mauro de Vasconcelos em Rosinha, minha canoa.)
“Sua qualidade era exatamente não ter quantidade, não ser mensurável e divisível porque tudo o que se podia medir e dividir tinha um princípio e um fim. Eternidade não era a quantidade infinitamente grande que se desgastava, mas eternidade era a sucessão.”
(Clarice Lispector em Perto do coração selvagem.)
Elba - William Gomes 10/03/2007

Mais do que tenho
Tu és diferente
Me dá mais do que preciso
Será por desejo?
Por medo?
De te deixar
Um bilhete dizendo
Um adeus seco, sem poesia
Sem lembranças
Como uma história perdida no ar
Sem ninguém pra contar
Como uma música perdida nas vozes
Sem ninguém pra ouvir
Como uma novela perdida nos fatos
Sem ninguém pra consertar, distrair
Jamais farei isso
Seus homens sentem sua falta
Ao deparar com suas camas vazias, frias
Que tu passas deixando
Carícias, afetos, vontades
Encontrei em mim
Marcado com prazer
E escrito com batom.
Marisa - William Gomes 10/03/2007

Quando penso em ti
Me vejo em seus olhos
As duas ardósias mais cintilantes que se pode ver
Elas refletem todo o meu sentimento
Me tornando mais vivo
Seu jeito, seu corpo
Me leva a lugares que eu não sei onde ficam
Que não sei se existem
Mas que me dão um certo privilégio
De estar perto, Marisa
Quando estou contigo fico dividido
Onde os dois gumes são teus
Meus lados, meu todo
Meu erro
De ter-te amado tanto
A ponto de esquecer de mim
De ver que já passaram horas, anos
Pra me libertar e ver
Que não era erro, era ilusão
Prazerosa, proveitosa ilusão.
Clarisse - William Gomes 10/03/2007
Me fazendo crer que não estou só
Que te tenho em minhas noites
Quietas e gélidas
Traga mais vida em minha vida
Mais companhia em minha saudade
Mais sorriso em minha dor
Clarisse
Imagino você me chamando
Sacudindo minha moleza, minha inocência
Tirando o peso da alma
Tornando minha manhã mais viva
Mais calma
Me mostrando o brilho no fim
A força nas flores
A beleza na loucura
Clarisse
E se não gostasse de mim ?
E se fosse verdade ?
E se eu não te quisesse ?
E se fosse mentira ?
E se fosse triste ?
E se fosse minha como sempre foi ?
E tudo isso tornasse vivo ?
E você, Clarisse, como é ?
Escuridão - William Gomes 19/02/2007

É você quem vejo
Vindo até mim
De braços abertos, se entregando
Por um instante me envolvendo
Com seu carinho, sua ternura
Queria que essa fantasia congelasse
As águas pousassem
Por um certo momento de prazer
Que ela ficasse sempre nítida
Em meu consciente inconsciente
Sólido, concreto
Não, não vá assim sem dizer adeus
Me despedindo apenas com um olhar inocente
Um sorriso me lembrando coisas
Que deveriam ter feito
Mas que a vaidade não deixou fazer
Não, ainda não
Porque tiras a luz no momento
em que mais preciso dela?
Como enxergarei seus sentimentos?
Pra poder saber o que realmente sentes por mim
Me engane, mas esteja comigo
Tua presença já é o bastante
Pra saber como está
Pra saber que ainda há esperança dentro de mim
De um dia poder ser minha
Mesmo que isto custe anos de solidão
Estarei esperando por você
De qualquer forma
Com qualquer forma
Pronto
Pode ir
Mas volte sempre que puder
Nem que seja ao menos pra trazer
Inspiração
Pra fazer um sonho como esse.