de A a Belhas

a nossa rede
no balanço das rédeas
o wi-fi sobre nossas cabeças
e sobre as nossas cabaças
o ruído da dissincronia
vira atraso o ato que não virou
experiência ainda
suspensa no tempo
a espreita de noz moscada
sacode no vento galhos e galhos
de nós mascados
indo-se os dedos
ficam-se os mascarados
aonde o/a braço
ao cança.

des off ir

ir o devir da pedra - gruta
parada em estrada verde
a sala de espera em agosto
florescem urgências pétalas
meu bem me quer fazer aprender
a regar as plantas
a lembrar de beber água em noites de porre roxo
o vinho são jorge nas intermitências do dragão
fluindo a pedra mole
a greta garbosa
trocando de pele
em plena
a avenida
a espera
um táxi
um amanhã ser.

aorta

a estante de livros
tá gelada no inverno
o ferro e a falta
encontram o silêncio
entre teias de aranha e ficções
os romances amarelam com o tempo
de manuseio
não lidos
os assuntos
na ponta dos dedos
não folheiam
nem se molham de saliva
temporariamente jogados fora
não se lixam.

jor now

procura-se se queer
na capa da nata
uma vy(a)da
que posa na caça
ex-tampando no tempo
a mancha em playback
a manchete estampida
entre fuckhnicolor
o feed semanão
foi caso jor now.

fando

fomos conversando
voltamos sem ter visto
o que era aquilo
que estávamos gritando
sem ter ouvido
algum atraso
tem tom de avanço.
o mundo tá
cego de .
de vista
de .
de vista
o mundo tá
c ego?
A FOLHA QUE PEGOU CARONA NO PÁRA-BRISA, DEU NO BAIRRO SEGUINTE.
isso de tratar o tempo
como quem trata
uma galinha
tá me deixando mal passado.
o olhar não muda
divisão
quando o corpo
armadura

rodoviário

que minha meritocracia hoje desatinou
via papel de carta de temática floral
só voltaria quando perdurasse num arbusto
robusto e primaveril entre os tantos capins
escorregadios que compõe um estrada vaga
balançante no vento do automóvel no asfalto
falso e petrolino
como henna na pele clara de um mestiço rodoviário

quando café cedo não se faz notório.

repouso

pro sono pesado haja
travesseiro de pena
que não gosto
prefiro deitar
sobre um muro e um braço
de lado
eu passo léguas
de madrugada esvoaçante
escutando o som do ventilador
pra espantar os pernilongos
e pesadelos atrasados.

esqueci de lhe dizer.

de A a V

es
ca
va
ndo eu
retro
es
ca
va
dei
ra
ora
se
min
ha
mão
no chão
resolve
ab
sol
ver
de
ponta
cabeça
um
sa
ci
me
cânico
fun
din
do
a
tu
a
cu
ca.
...

- um lugar que você gostaria de estar hoje?
- em meio ao mundo.
...

- você anda como quem corre de galochas.
- desconhecer o aí do que vem também é nadar.
na madrugada dá tempo:

de pôr as aspas no "hoje"

o óbvio no berço

o sono no cabelo

limpar o cinzeiro

mastigar o longe

fechar ciclos:
nem que eu tenha que voltar amanhã.

amornar

num caso de amor
entre o domingo
e o dadaísmo
tudo tarde:
acordar, almoço
farda de molho
lata de milho
trânsito frouxo
cinismo
daqui
até às seis
vai sobrar algum caroço?

coador

posto que é chama
que seja térmico
enquanto bule
se não for café com leite.

céusius

queimar a língua e perder os pontos a seguir na escrita ao sabor da pressa de esfriar quem sabe a palavra inflamável tem gosto de mar quando choro quando preparo paladar um segundinho a mais de silêncio pra mim e pra você e pra mim demorar na temperatura do último dito que fizemos hoje acordamos sem precisar de despertador quando a falta de sonho já é suficiente pra levantar da cama e sentir que é isso às vezes queimar a língua provoca um sopro de alívio
eu tenho dificuldade de falar certas palavras, porque tenho um talento de conotá-las em inúmeras possibilidades antes de você. eu tenho facilidade em precipitar-me. eu tenho dificuldade de derramar lágrimas, mesmo quando o pulsar da minha respiração acontece no ritmo da de um passarinho baleado. apressada, morna e apegada. eu tenho dificuldade de responder perguntas para daqui a dez anos. eu tenho facilidade de encontrar respostas com baixo prazo de validade. eu tenho uma cicatriz na testa, de quando eu tinha cinco anos, já tentando atravessar abismos. só que daquela vez eu tava acompanhado. só que daquela vez só eu saí ferido. só que daquela vez só eu levei os pontos. só que daquela vez só eu lembro com clareza até hoje. só que daquela vez eu não fazia a menor ideia que crescer fosse encontrar consigo mesmo mais adiante, e não saber responder quando se pergunta às vezes, como vai? só que daquela vez e até hoje eu continuo tendo pouca experiência no olhar. mas parece muito. e por falar em muito, passei muito tempo me desacostumando a olhar pra você. só que daquela vez me parece muito agora.
sobre as infiltrações que andam acontecendo em casa: não devo deixar de lavar a louça. entre um prato e outro, me dou o tempo de pensar nos ciclos que preciso fechar. aquilo que se suja é uma tentativa de ser honesto consigo mesmo. essa semana o cotidiano andou tão derrapante, sem dar o tempo de sentir a véspera de qualquer mudança. o presente não me espera para mexê-lo e perpassa aglutinando as notícias dos que passaram por mim ultimamente. e ultimamente tem chovido bastante, entre o limpar e o expulsar. tem chovido e hoje é para aqueles que carregam uma ilha no nome.

Monólogologia

no meio da rua tinha um domingo
esperando um caminho atravessar.

no meio da espera tinha uma rua
esperando o caminho atravessar.

no meio da rua esperei na segunda
vez - que resolvi desesperar.
o real
custa
caro

como a
orelha
escuta
a cera?
dormir tá virando um esquecimento.
que coisa mais quadrada andar em círculos.
entre a caverna
e a gruta
o grito que não escapa
soluça.
claro,

que eu acho pra que serve um ano ímpar?
serve pra, na soma dos algarismos, ver que
o resultado é sempre produto do esforço.
Thamis comprou esse disco com o namorado em dezembro de 87. Era lançamento na época. Tinha o costume de ouvi-lo nos fins de tarde de domingo. Quando tocava a Valsa de Uma Cidade, ela desapegava de tudo e se via de volta ao Rio de Janeiro. Apesar de odiar todas aquelas calçadas cheias de gente, e aquele calor da necessidade de ser bonita. Aquele falso desejo de estar naquela relação afetiva que fazia dela mais um penduricalho ilegítimo naquele emaranhado de amigos em comum. Todos oscilantes entre o amante e o descartável. Tudo ficava menos interessante quando as pessoas chegavam caladas e as olhava com olhos lilases de libido, e de novidade. Não que tudo ficasse menos interessante, corrijo, tudo ficava era mais obviamente raso mesmo. E ela gostava também disso - nunca disse que não. Mas era o Plano B, pô. O A nem ela sabia ao certo, só não era aquilo e nem apenas. Aquele resumo de intenções. Tem sentido que as pessoas daqui ficaram mais cansativas, e cada vez mais tem as querido menos. Mas hoje, ela mora em Curitiba faz três anos, tá ruiva, perdeu seu namorado na última discussão e não tem mais ouvido Caetano. Sua inspiração agora tem sido tudo aquilo que remete ao Sul de qualquer lugar, os postais que não param de chegar e varanda da vizinha da frente que funciona como uma tv dessintonizada mas eficiente na distração dos dias de molho branco. Tem transpirado mais nos últimos tempos para dispersar todo o calor-memória daquelas tardes cariocas, ridículas e cinzentas - falsas que nem a segunda asa da xícara que transborda carência.
pós-fogo
fósforo
paga de pá
vil.

Perspectivas

trouxe enquanto bagagem
um pouco de perspectiva
- ou seria viagem?

Processo

de lisa
a mente
não fere

a velocidade
do deslizamento
que interfere

na fronteira
transbordar
deixa de ser goteira.

Exílio

onde há espaço
para as mãos
manter os dedos afiados.

onde
para os dedos
manter os meses sob controle.

Sade sadness

há de achar
um hades
que me chamas.

mês-me

mesmo
mezmo
mezmu
mês-me

deslizamento 842
...
- como tá teu coração?
- montanho e russo.

Aderedere

em algum lugar agora
algo envelhe-se
em sua tontalidade
uma lesma
uma gosma
uma resma molhada

como papéis picados
estão sujeitos
se encontrando com cola-predileção.


amadurecimento é uma presença nova que chega na gente e não é visita, fica.

continuidade

perder-se em supra-sumos voláteis
achar-se nas re-mortes cotidianas
.
porque um gozo é composto
de ereção absoluta

e enterrar conflitos a sete paus.

Editorial

do meu cardume cuido eu todo formigamento de desejo ainda é lampejo ofusca a vista perde a linha tô nos classificados pode ver sou aquele prenúncio no fim da página barato e circulado com tinta esferográfica essa semana eu vou sair da página essa semana ainda sai outro exemplar com dúvida no editorial.

Anticloro

no morder as extremidades
vazou o adentramento

foi-se uma vida piscina.
jardim de infância
hastear a bandeira no hino
sem sombra de engajamento.
o redor tem sido nos últimos dias de uma imensidão que só. sentir ele tamanhando sua própria grandeza em mim. esse verão bonito e ainda morno nessa temperatura de corpo descontorno. as pílulas de retrocontrole que não tenho engolido nos últimos acontecimentos dissolvendo no ralo do banheiro. essa percepção poético-tola da imagem de armar uma rede entre dois prédios quaisquer de algum lugar dessa cidade balançando desafios e preguiças ao vento. preciso de boas notícias também. mais dias com momentos de aguardos, do que de esperas. as frases-roteiro que enfeitaram mais um dia de trabalho explodindo no fim do expediente. solinhas de babão. a proporção áurea na estrutura dos eletrodomésticos. e você, bom dia? e os talvez-quem-sabe dos nossos dias virando prefácios. arrumar as malas pra viajar até a esquina em tempos de carnavalnabahia. meu diário de notícias televisivas dentro do ar e fora da mente – canais, vias e logradouros digitais. vamos dar mais uma volta na pipoca.
Amar é uma oração.
Eu te amém.

willow love

allow me
be low
be long
because
I will go.

lacrimosa


canonizou a putaria
fez do colo um altar.
um homem de ventre baixo acabou em pizza
criava fome de assuntos importantes
num feed de notícias.

>>


sem acabamento

a capa que eu quiser
por
que você vê como

Cardíaco

um café
pra chamar de noite
amar é doce quando açúcardia.
ARVORECIDADE