Hoje ele me perguntou se eu já tinha passado uma gravata. Respondi que nunca. Apesar do conforto de ter um nó no pescoço. Um alarme de vida. Depois eu o perguntei se ele já passou um vestido de formatura; se ele já passou a mão na mão de um falecido querido; se ele já passou a perna; se ele já passou por uma cama que não quisesse; se ele já passou a língua no próprio pau; se ele já passou o 'back'; se ele já passou da conta num bar - e numa farmácia?; se ele já passou uma corda no pescoço, quando quis passar a vida a limpo; se ele já passou por um teste de HIV - e de gravidez?; se seu corpinho de criança já passou por quantas mãos adultas; se quem passa também sente; se quem passa também fica - amarrotado; se ele já passou uma camisa; se ele já passou uma camisa de força; se ele já passou por uma camisa de força.
Então passe o café, por favor.